sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Você



O som agudo oriundo do relógio marcava mais uma longa hora de aprendizagem – ao menos a tentativa.
- Ele acaba de entrar e sair do escritório.
- Não. Ele acaba de entrar no escritório e sair.
- Mas por quê?
- Não pergunte, só faça.
- Tu e teu amigo se enganaram.
- Não. Você e seu amigo se enganaram ou, tu e teu amigo vos enganastes.
- Por que?
- O pronome “tu” mais um outro da terceira pessoa ou nome é igual a “vós”. Entendeu?
- Sim, sim.
- Próxima.
- Quero-lhe ao meu lado.
- Errado. Quero-a ou, quero-o ao meu lado.
- Por que?
- Porque o verbo querer, na acepção de desejar pede objeto direto.
- Está complicado.
- Vamos, tente mais uma.
- Vou deixar consigo esta lembrança.
- Novamente errado. Vou deixar com você esta lembrança.
- Por que?
- Consigo só se emprega na voz reflexiva: Guarde consigo esta lembrança.
- Eu amo ela.
- Errado. Eu a amo.
- No amor não existe certo ou errado – protestou afônico.
- Não estamos falando de amor e sim de poesia.
- Em que diferem?
- Oras! Onde quer chegar?
- Quando a vi sair do escritório, soube de imediato que a queria ao meu lado, quando pensei em dizer-lhe isso, teu amigo disse-me que teria eu enganado a mim mesmo então, pedi-lhe ajuda tentando deixar-te uma lembrança.
- Empregou muito bem as frases que escreveu e de forma correta. Só esqueceu-se de uma.
- Verídico, irei adscrever o “eu amo ela”.
- Está errado, acabamos de corrigir.
- E se eu quiser mudar o pronome e substituir por outra palavra?
- Qual outro?
- Você.

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